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A
DISTORCIDA CARGA TRIBUTÁRIA BRASILEIRA
Gilberto Luiz
do Amaral, advogado tributarista, professor de pós-graduação
da PUC-PR,
presidente da Associação Brasileira de Defesa do
Contribuinte (ABDC) e do
Instituto Brasileiro de Planejamento Tributário (IBPT)
Na história brasileira o
contribuinte sempre é penalizado. O sistema tributário
torna-se cada vez mais caótico e a promessa da classe política
quanto à sua simplificação é somente
figura de retórica.
Pesquisa realizada pelo IBPT - Instituto Brasileiro de Planejamento
Tributário (www.tributarista.org.br) e pela ABDC - Associação
Brasileira de Defesa do Contribuinte (www.contribuinte.org.br),
aponta que entre 1986 e 1999 a carga tributária subiu 295,63%.
Só em 99 a arrecadação tributária
global subiu 11,23%, se comparada ao ano de 1998. Isto ocorreu
devido a um incremento de arrecadação de R$ 30,21
bilhões. Em termos percentuais, os tributos que mais aumentaram
foram: COFINS, 71,67%; outros tributos estaduais (IPVA, ITBI,
Taxas): 51,89% e o IOF, 37,73%. Em valores, a arrecadação
tributária aumentou: COFINS: R$ 13,44 bilhões, ICMS:
R$ 7 bilhões e IR: R$ 5,7 bilhões.
Em 1986 a carga tributária sobre o PIB brasileiro era de
22,39%, elevando-se ao longo dos anos e atingindo o índice
de 29,90% em 98. Em 99 a carga tributária global atingiu
32,99% sobre o PIB, representando, portanto, quase 300% de aumento
em treze anos. Dividindo-se a arrecadação tributária
global (tributos federais, estaduais e municipais) pela população
brasileira, a pesquisa demonstra o aumento da contribuição
"per capita" ao longo dos anos. Em 1993 cada brasileiro
pagou cerca de R$ 719,19 de tributos e em 1998 cada cidadão
pagou R$ 1.681,54. Em 1999 este valor pulou para R$ 1.813,68.
Desta forma, percebe-se que o Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro
cresceu no período de 86 a 99 em 1,69 vez, enquanto a carga
tributária global cresceu no mesmo período 2,96
vezes. A arrecadação das Contribuições
que financiam a Seguridade Social (COFINS, Contribuição
Social sobre o Lucro, PIS, CPMF e INSS) somou em 99 R$ 109,7 bilhões,
representando 12,09% do PIB. Em 1998 elas representaram 9,87%.
Também houve um incremento de R$ 17,38 bilhões na
arrecadação de tributos federais, gerando um aumento
de 9,32% em relação a 1998.
Como agravante desta situação ameaçadora
do setor produtivo nacional, vê-se com perplexidade o governo
acusar constantemente o contribuinte brasileiro de ser sonegador.
Pasmem, conforme já alertado por nós em agosto de
1999, o projeto de Reforma Tributária é um engodo.
Enquanto isto, a sociedade continua a pagar duplamente por serviços
que deveriam ser públicos: paga para o governo e não
recebe o retorno merecido e ainda tem de arcar com custos privados
de saúde, educação, segurança, etc.
O desvio do dinheiro público continua notório, sem
medidas eficazes de combate à corrupção.
O Presidente legisla livremente através de medidas provisórias,
sob os olhares submissos de um Congresso Nacional inerte. No Supremo
Tribunal Federal o governo tem até líder,
demonstrando a dependência do poder judiciário ao
chefe do poder executivo. Infelizmente, isto no limiar do século
XXI.
Exemplo de que a questão da Reforma Tributária não
é séria é o fato de que no ano passado o
governo continuou a aumentar os tributos. Tome-se como exemplo
a permanência da CPMF, uma contribuição que
estava em vias de ser extinta, com alíquota majorada. Houve
aumento da COFINS, do PIS e da Contribuição Social
sobre o Lucro. Em 2000, apesar da redução da alíquota
da CPMF, já houve aumento do INSS, do Imposto de Renda
e do IOF. E a posição do Congresso Nacional, qual
é? A de submissão absoluta aos ditames do poder
executivo.
As más notícias não se encerram aí.
O projeto de orçamento para 2001 recém enviado para
análise do Congresso Nacional, prevê o aumento da
carga tributária brasileira, com nova majoração
da CPMF, criação de um novo tributo sobre o combustível,
e aumento das contribuições para a seguridade social.
Assim, enquanto os países ditos de primeiro mundo reduzem
a carga tributária sobre as atividades produtivas ou simplificam
o seu sistema tributário,
o Brasil vai na contra-mão, penalizando os que trabalham
e produzem para o país.
Dr. GILBERTO LUIZ DO AMARAL
Advogado tributarista, contador, auditor, e presidente do IBPT
Instituto Brasileiro de Planejamento Tributário.
gilberto@expertja.com.br
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